Ao alcance dos olhos, a chuva, o amargo, o nublado do céu. Ao alcance da mente, o impalpável os sonhos frustrados, esquecidos largados naquele chão. Ao alcance do coração a solidão, os estilhaços o passado, tudo que foi em vão. Ao alcance da alma o abismo de decepções.
E lá vem novamente, o vagar da mente na multidão, vem novamente à busca incessante do olhar acolhedor, da parada do tempo… do amor. Vem mansamente, no trilho do vagão, vem calmamente junto com a solidão.
Certas coisas não passam certas marcas não apagam certos momentos não se descrevem e certos sabores; preservamos entre nós e a sós diluímos o que dele há de melhor. (…)
A frieza que tudo tomou o amor que nada suportou a dor que no fim restou… Lembra dela? – que esperaria ali na janela até o sol raiar? Lembra dela aquela mesma da velha varanda a ti esperar? Lembra dos planos e sonhos a noite ao luar, lembra da música no piano a lhe dedicar? (…)
Velhas lembranças na multidão, velhos estilhaços largados no chão, mesmice em dia de chuva. (…)
Ao alcance dos olhos? Uma flor. Ao alcance da verdade? Uma dor. Ao alcance da saudade? Meu amor.
É você também!

Você percebe bem o mundo que ti rodeia? Você olhou mesmo com os olhos da realidade os fatos que geralmente rondam a sua vida? – Sentiu exatamente o quê?
Pois é, são mistas as nossas sensações, na verdade são variadas as verdades, verdades camufladas e aquela que se você não criar vai acabar enlouquecendo a tanta mediocridade, futilidade e adjetivos que rebaixem (se é possível) ainda mais o mundo ao nosso redor ou esses tais seres humanos que nele habita.
Acontece que não há um absoluto que ti faça sorrir, ao contrário a tudo de absoluto quando suas lágrimas começam a rolar pelo seu rosto num momento qualquer, mas e daí? São suas lágrimas, suas desilusões, seus rancores e espinhos e isso não me apetece; são seus problemas, sua vida, seu mundo, seu caminho, seus fardos, seu (ser sozinho). Simples, viver assim.
“O dia em que aprendi” viver por mim mesma sem olhar a dor do meu próximo; que aprendi viver melhor ignorando os passos em falsos do que estava a minha frente, que aprendi a fechar os olhos aos tombos de meus amigos; no dia em que vi que era fácil sorrir sendo assim. Não sou eu, não estou ali, não adjetivei minhas características piegas, infantis, e sonhadores demais para essa humanidade imbecil. 
Acontece que podem se passar estações,e o declínio invadirá numa chuva de punhais loucos por saborear o sangue de quem ainda ama, sente, acredita e tem fé que tudo pode mudar na virgula seguinte, que essa simples dissertação pode terminar num “Felizes para sempre”. Não, ela não terminará porque a realidade foi tão cruel que não fantasiarei só para satisfazer ou deixar sua mente um pouco mais aliviada ao deitá-la no travesseiro e tentar manter seus sonhos coerentes com seu estado de espírito, que nessa noite será um tormento ao perceber as chamas da maldade que estão libertos por aí, a atacar quem menos merecia seus fardos inescrupulosos.
É incrível a capacidade de sorrirem após perceberem o quanto sua alma anda fatigada, cansada dos caminhos tortuosos; é simplesmente fantástica a capacidade do ser humano em conviver como abutres da dor alheia.
Mas e daí, mudou algo dentro de você? Fácil ignorar, difícil caminhar e destilar o gosto amargo, impuro e repugnante da alma estilhaçada.
Parabéns, sua vida brilha conceitos podres que alguém poderia ter. Mas e daí? È um orgulho pra você né?

(F)oi (I)mpossivel (M)udar

Prometi não mais chorar, nem implorar. Prometi seguir, ser firme no que escolhi ser ou no que foi me dado acreditar. Recebi a frieza, a distancia como propriedades de uma personalidade e essência só minha, e por ser tão minha tornei-me egoísta ao dividir o que me rasga por dentro.
Foi descrito por mim, a solidão, ou a solidão descreveu-me como sua melhor personagem? Já não sei bem, quem escolheu quem, sei que estou prisioneira de um defeito mundano que tanto desfaço aos que rondam a minha volta, quando dentro de mim só se faz precipícios e ecoam as vozes de uma solidão impregnada de minhas melhores frases.
Escorrem lágrimas no meu rosto perturbado, um rosto que mal reconheci hoje cedo no espelho, uma imagem de alguém, um alguém que não me pertencia. Características do caos, da alma, do coração…
Aquela que a muito conseguiu desbravar os furacões, aquela que sempre foi a primeira a se por a frente de todos para que os estilhaços batessem em si própria para amenizar a dor alheia; aquela que sorria enquanto uma cratera corroia o seu melhor… Aquela mesma de sonhos infantis, que todos conheciam pelo sorriso doce, pela meiguice; aquela que hoje se agarra a qualquer detalhe que faça sua vida ter sentido aquela que desconhece o próprio olhar no espelho que procura vestígios de alguma lembrança que desperte algo doce em sua nostalgia, aquela mesma, perdida por amores não correspondidos, por falta de considerações, por detalhes que na verdade só fazia sentido para si próprio, e que hoje espera só por amor.
Cansei de carregar o fardo de estar sozinha, cansei de idealizar algo que não me competia, fatigada por um caminho escuro, cruel, amargo… Se plantar é colher, depois de tanto plantar cadê a colheita que tenho por direito e dever?
Quero amor, quero ver o amor crescer..quero plantar, colher… Quero viver, sabe? Simplesmente viver?
Já não consigo respirar, não consigo mais olhar o mundo, as pessoas com o mesmo olhar, e mesmo que isso seja amadurecer uma etapa que se faça crescer eu não consigo mais seguir, assim sozinha...
PS: eu devia uma explicação a aqueles que tanto me seguiram aonde eu fosse, por tantos diretórios, por todas as fases incoerentes, por todos os textos absurdos, ás vezes contraditórios e fugidios de qualquer lógica. Eu devia uma explicação a aqueles que tanto estenderam “as mãos” para acrescentar sabedoria a minha vida, mesmo quando muitos se viam sem palavras. Eu devia, devia uma explicação… Não decreto o FIM propriamente, mas por agora devo parar, parar de semear meus desconcertos por aí, pra ver se alguma coisa muda aqui dentro, aqui na caminhada, na minha vida.
Voltarei, quando estiver recomposta, quando houver uma resposta pro caos cessar, voltarei a publicar… É com lágrimas nos olhos que eu digo, até breve.
Por mim…

E mesmo que o arrependimento venha bater, mesmo que as lágrimas de mim escorrer, que o frio da noite mostre-me como ser forte. Mesmo que a saudade me invada, que as lembranças me abalem e o brilho dos olhos me faça falta, o sol virá para me aquecer nos braços do amor. E quando a tempestade cair, o sorriso teu invadir os raios partirão qualquer vestígio seu do meu coração. O vento irá varrer e levar pra longe todo sofrimento que em mim fez crescer.
Nunca foi jurado mais do que o necessário, nunca ganhou mais do que pediu, e o meu amor revestiu-nos com todo o teu poder, e banido foi por tua boca ao não me querer.
Nunca pedi, nem mesmo implorei uma lua se quer por um amor humilhado e massacrado pelos teus pés, acontece que surgiu, aqueceu e foi bem além antes mesmo que eu pudesse impedir.
Hoje humilhada por suas palavras indiferentes; hoje massacrada por toda a sua distancia incoerente, lhe juro não mais proferir nenhuma frase que vier teu nome a existir.
E esse amor que diz existir por mim que seja revelado antes do fim, para que meu coração sinta antes que frio tome conta de mim.
Que os céus amenizem meu sofrimento, que o vento leve embora todo esse pranto, que a grama em que meu corpo deita envolva-me e proteja-me, que meu olhos não almejem ti buscar, que minha boca não cogite lhe chamar, que meu coração não acelere a qualquer vestígio seu, que as lembranças não venham me assombrar, que o estilhaços do meu interior não se mexam a me rasgar e quanto o seu coração por mim clamar todo o encantamento por nós lançados no ar rasguem os véus numa rendição lunar. O que for destruído com amor, só o amor reconstruirá. Que Assim Seja e Assim se Faça.
Espinho

Não vou procurar entender, satisfazer teu ego interior. Não voltarei atrás não regredirei mesmo que fosse capaz por um sorriso furtivo seu. Meu corpo anda corroído, meus passos doloridos e minha mente letárgica demais para que eu volte atrás e tente um novo começo.
Pontuei nossa história e sim, ela hoje teve um ponto final. Descrevi nossos versos e ele perdeu seu sabor adocicado de mel; tentei não esquecer nossos momentos por isso coloquei em frascos lacrados dentro do meu ser, para que o vento não o leve embora, para que não se torne aquela caixa de pandora que engoliu meus sorrisos sinceros.
Chorei, implorei por você e a escuridão tomou conta de mim. Agora sou assim, solitária, mas totalmente liberta de teus caminhos destrutivos, da sua falta de amor e reconhecimento. Prefiro hoje permanecer na dor, a sentir teus espinhos me fincarem novamente. Chega, por mim, CHEGA!
Letargia

Ainda é inverno em meu coração, e todas as palavras parecem fugir do frio que reside em mim. Parece não mais existir antídoto para que eu me cure dessa letargia abundante, parece que nada me faz voltar atrás onde eu deixei o calor que aquecia meus dias, meus passos.
Não é triste, não é negativo e não me faz prisioneira de um sofrimento amargo, solitário; me faz ver o quanto um raio de sol hoje é necessário para que minha vida resista as tempestades interiores.
Fogem de mim palavras encorajadoras para meu estado de reclusão, faltam-me descrições para que possam transmitir a altura o que é estar dentro, profundamente a par, com todos os passos que dei para chegar até aqui, para estar como me encontro.
Encare seus medos, reveja seus atos, mate as ervas daninhas que crescem, morra e renasça como fênix; não é fácil, não é prático, mas às vezes nos é necessário para continuar a crescer em plenitude total.
Entenda o quão profundo é, esses atos de coragem; o quão dolorido é passar por essas fases e sentirá minha letargia pulsando em seus veias, transmitindo minhas dores e receios. Mas entenda, é preciso! E eu preciso é entender também.
Lá atrás naquela estrada hoje esmaecida, lá atrás onde os nossos mundos se encontraram meu sorriso resistia a qualquer confusão mental, mesmo que o abismo abrisse abaixo dos meus pés o sorriso permanecia ali intacto, talvez não tivesse sido complacente ao meu estado de espírito, talvez tenha omitido minha verdadeira situação, acontece que hoje estou sendo fiel às sensações que me rondam, aos medos que me cercam e acima de tudo estou sendo fiel á mim.
Ainda é inverno me meu coração e apesar de toda contradição pra você, consigo sorrir.
Desacelera

Desacelera solidão, pois meu coração transborda suas sensações de desprezo, de rancor, de mágoa. Desacelera escuridão, pois tanto breu me impede de continuar. A junção da fórmula e desengano, lágrimas que rolam em meu desespero ensandecido por um pouco de paz e explicações. Perdida num caminho, largada até o último passo em falso, atolada ao pescoço pedindo por reparos, reparos pra quem é tão errada? Pisoteie, amargure, chore… Chore muito até tudo ter transbordado por teus olhos e só peça e implore por piedade e conforto… E lembre-se chore até ver o mundo sucumbir por debaixo dos teus pés cansados. Pra que tanto amor? Pra que tantas lutas? No final da guerra sairei mesmo de mãos erguidas à procura de algo que seque que lave minha alma, em busca de algo que não estará lá. Pra que tantos sentimentos se nenhum será levado em consideração? Acreditar num mundo onde o suicídio é o melhor caminho, lutar num mundo onde só se leva cicatrizes, esperar por algo incerto… Incerto, amargo, dolorido. E ainda dizer que é preciso viver. Viver? O que seria viver pra quem já diluiu na própria essência todas as dores incabíveis de suportar? Será errado dizer que o fardo está grande demais para este corpo já corroído pelas marcas? … Vi meus olhos enxerem de água, vi meus sentimentos escorrerem para longe, vi minha alma corroída por marcas, me encontrei ali sentada sozinha. Vi a solidão me atingindo, vi o amor sucumbindo e levando consigo a metade de luz que havia em mim… Encontrei-me com frio, sedenta de amor, me encontrei sozinha sofrendo cheia de dor… Encontrei-me atolada sem poder voltar..Desacelera solidão, porque dessa vez eu não vou agüentar!
Cinza

Muitos não aprenderam o que é realmente viver, o quanto podem ser duros seus passos, o quanto é triste suas manhãs cinzentas e o quanto tudo isso pode está fora de eixo.
Ainda não viram do amanhã um mundo decadente, dilacerante e doente. Não enxergaram o olhar perdido do próximo, o sentimento sôfrego daquele que lhe encara com um sorriso forjado no rosto. Muitos estão dando a última gota de suor em troca de uma sombra para simplesmente deixar-se levar.
Os ponteiros do relógio rotineiros movimentos que marcam tuas tristezas, que guiam tua rotina e ti prendem ao lado sombrio e curto do que é viver. Os sóis que não lhe encantam, as manhãs que perdem o brilho, os pássaros que já se encontram calados, as estrelas que não mais enchem teus olhos de luz, teu mundo cinza, tua verdade crua e nua.
Soa uma voz dentro do peito… – “Por onde anda toda beleza, o que fez dos encantos que se espalhavam detalhando teu mundo? O que fez do teu olhar? O que fez com você?” – E mais uma vez, silencio…
Não são as flores que deixei morrer, não é o vento que não mais me inspira, não é o sol que perdeu o calor em me aquecer, é meu coração meu coração que perdeu a esperança de um novo amanhecer. Os caminhos que torturaram meus pés, os espinhos que penetraram minha pele e o mal que sucumbiu a doçura que se encontrava no meu caminhar… Foi o tempo, maldito que levou o que antes me fazia sorrir, foi esse tempo inflexível que desfez com seus ventos cruéis o sorriso incandescente de meus lábios esperançosos… Um mal que tomou posse do que antes era vida dentro de mim…
“E eu fico olhando fixamente para o céu em busca de uma resposta…” ♪
Fragmentos do melhor de mim, você!

Ecos fragmentados
A saudade do inexplicável que assola meu coração. Os estilhaços do passado que machucam ao caminhar. Os erros sombrios que vêm perturbar, a magoa que vem ecoar aos quatro cantos de uma sala vazia.
As lembranças evasivas, a falta de uma direção à motivação que se espatifou ao cair no chão. O caminho na penumbra das impossibilidades, o coração em chamas.
O mundo girando trilhas se formando em busca de uma felicidade bem prometida.
Frieza mal calculada, imaginação infértil inspiração em falta, estantes vazias pra um simples dia, meu dia.
Aprender na necessidade, na falta, no limite de um coração partido. Viver e retirar boas palavras disto: VIVER.
Alegrar-se pelo vento batendo no rosto, pelo sol da manhã aquecendo, pelo pássaro cantando. Alegrar-se pela beleza que me cerca alegrar-se simplesmente por estar alegre. Ser simples, evasiva, ciumenta, possessiva, fria, calculista. Ser eu e sem adjetivos incoerentes, sem palavras aumentativas.
Sentir agudamente os sentimentos e guarda-los a sete chaves, das chaves do impossível para ser egoistamente meus.
Entender-me e me bastar mesmo que o mundo venha desabar; mesmo que os caminhos venham a escurecer mesmo que o cerco venha a se fechar e me sufocar. Morrerei por me entender, por perde-me em mim, por ser assim contraditória, complicada, efusiva e autenticamente eu.

