Balelas, Diário de Bordo, Todos.

Do cinza que há em mim

Acordei sem saber o que sentia e o cinza chuvoso do céu visto da minha varanda, descrevia meu interior. O gosto de saudade veio logo lembrar-me de como faltas doem e marcam. Um tempo, um momento, uma vida saudades esquecidas que batem na porta do coração e dizem “mais uma vez, só mais desta vez”.  –  O quanto a vida mudou, me mudou; me fez melhor, pior, indiferente, madura; me refez e quantas vezes eu sobrevivi, revivi, re-surgi, sempre lembrando de que “Não, eu sei que não será a última vez”. E de fato não é, rotineiramente a gente se refaz, num ponto, numa característica, numa fragilidade, em algum medo; a gente sempre se refaz em algum momento e acorda no outro dia com a saudade do que ontem tínhamos, do que ontem fomos.

E ás vezes eu penso, será que amanhã vou acordar com saudade do que somos? Do que temos? Do que planejamos? E o gosto de café será o mesmo na manhã seguinte, e na outra, e outra sem você? O céu será sempre cinza pra descrever-me sentindo falta, sentindo sua falta? – Acho que nunca irei superar o medo de ficar sozinha e gostar tanto disso ao mesmo tempo. Respirar uma solidão nunca foi tão cogitado, pra curar o que falta aqui dentro, pra sanar o que seu amor não preencheu, pra mostrar o que ainda não sou, com ou sem você.

O céu nunca me pareceu tão fiel como hoje, ele amanheceu nublado como meu coração, ele chorou como as lágrimas que escorreram dos meus olhos, e ele estrondou seus raios como a raiva que bate dentro de mim; raiva de não conseguir ser feliz, de não me permitir ser diferente, de enxergar nosso amor escorrer por entre os dedos e ser incapaz de fecha-los dentro de mim, ou de querer-lo de volta. Não sei se te amo mais, e estarei mentindo se afirmar que quero você longe.

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2 thoughts on “Do cinza que há em mim”

  1. Os dias trazem olhares, sentimentos afundados no desânimos dos olhos, matérias concretas, feitas no íntimo que desaguou ontem, e floresce hoje. As emoções nutrem e surgem diante de nós, gerando as reflexões sobre os momentos cinzentos. Da saudade profunda, do amor enraizado. Sobra uma abraço? Os cheiros permanecem?

    Só o céu consegue afirmar do que sentimentos. Nem podemos nos enganar, nem mentir pra nós mesmos.

    Beijo!!

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