Todos.

Colecionadora de Decepções

Se eu for pautar tudo que me dói e incomoda, essa postagem vai ficar enorme, mas aí pensei: – Idaí? Esse espaço aqui é meu e fico maravilhada em saber disso, esses parágrafos são meus, cada centímetro dessa html é minha, então não gostou? Foda-se fecha no “x” e se exploda.

Começou numa decepção aqui, numa frustração ali, numa chateação lá; foi desgastando, foi corroendo e estourou; antigamente falava que era como um cristal que ia absorvendo cada energia ruim, e transformando, fazendo uma mutação pra viver melhor, pra viver mais, pra conseguir sorrir, acontece que aquele cristal, quebrou. Cansei, tudo me chateia, as pessoas me chateiam, e sim eu sou insuportável, mas fodas não pedi pra gostar de mim, não pedi pra ficar aqui, aliás o que tenho mais convivido é com as faltas, falta de mim mesma, falta de amor próprio, de reconhecimento, de tudo. Um desejo? Morrer, porque não?

Eu fico abismada como as pessoas conseguem ser ruins por um prazer mero delas, por uma mesquinhez ridícula; e mais abismada fico em sofrer tanto por isso. Lutei pra conseguir minhas coisas, meio aos tropeços nunca fui e nem serei perfeita, ou uma pessoa passível de admiração; lutei pra poder ser uma pessoa melhor, espalhar amor e tudo que me resta é ódio, rancor, tristeza. A muitos anos eu não sei o que é ser feliz, e quando me deram um mero vislumbre de que seria me lançaram no chão, sem dó. A muitos anos mantenho um blog sombrio e quem conhece sabe a quanto anos (9 anos se não me engano), venho tentando reerguer de um tropeço aqui, de um espinho ali, de um machucado aqui. Tentando escrever pra ver se ameniza a dor, se diminui as lágrimas, se dói menos e me faz querer ser mais. Não entendo e nem quero entender que na vida alguém esteja fadada a sofrer, e por mais que eu mereça (que talvez esse seja o fato), alguma feixe de luz poderia entorpecer a alma que já anda fatigada de tantos calos, empurrões. Eu esperava mais, esperava um abraço quando eu ajudei, um sorriso quando meu dia tava sem cor; esperava um aperto de mão, um elogio; eu esperava mais diversão, mais seres capazes de se doar, de amar, de cuidar. Sim, cuidar e talvez isso que me doa mais não ter quem cuidar de um coração dolorido, inerte. Talvez, eu seja hipócrita sim quando falei diversas vezes que não esperava nada em troca, mas é que no fundo todos esperamos, e se não todos, EU espero e fodas se isso é ridículo. Eu esperei quando eu ajudei, quando aconselhei, quando abracei; eu esperei quando ergui um aqui, quando amenizei a dor de outro; eu esperei alguém que fizesse por mim o que fiz por muitos e por isso, esteja aqui agora sem rumo, no fim. A vida é engraçada, as pessoas são engraçadas, quando você mais faz, menos ti reconhecem, menos ti enxergam menos veem que no fundo você necessita tanto quanto qualquer um. Quantas vezes ouvi injustamente: “você é fria”, “mas você não precisa disso”, caralho será mesmo que não preciso? Será mesmo que sou fria a ponto de aguentar pessoas me ignorando, afastando, pisando, humilhando; será mesmo que sou fria a ponto de merecer ser descartada como um “nada”, aliás um ‘nada” deve valer mais né? Sabe, cansei, procurei um ponto pra mim, um ponto fixo onde pudesse me mover, onde pudesse viver, onde pudesse ser feliz e acabei encontrando a mim mesma sentada ali de novo e sofrendo, sofrendo, sofrendo sozinha… Será que vou ter que morrer pras pessoas me enxergarem, veem o quanto preciso de carinho, o quanto preciso de alguém? Será que vou precisar sumir pra reconhecerem o quanto fiz o quanto estive sempre lá? Será que é preciso de um FIM pra que vejam o erro, a falta, a dor?

Um dia me falaram que “ninguém realmente se importa” e acabo chegando a conclusão que é mesmo dessa forma, porque alguém se importaria se não dói nele? As pessoas só se preocupam quando atinge elas mesmas, e isso também me machuca. Sabe eu preciso aprender a me importar menos, a preocupar menos, a me doar menos pra ser mais, pra ser feliz, pra viver pra mim. Eu preciso aprender que não existe gente que quer o bem no mundo mais e entender que isso sim é a nossa maior verdade por mais derrocada que seja. Eu preciso aprender a ser, e não simplesmente existir. To cansada, cansada de mim. Arrependida de ter ajudado tantas vezes; de ter acreditado que ia ser diferente quando na verdade não era; de ter tido esperança quando ela estava em falta; arrependida de ter tentado, insistido; de ter ouvido, aconselhado; de ter feito parte de algo que no final nada do seu esforço fez diferença; arrependida de ter enxugado as lágrimas só pra não preocupar, de não ter chamado quando precisava só pra não incomodar; arrependida de ter ido, quando poderia ter ficado quieta; arrependida de ter me aberto tanto, ter sido tão entregue; de ter acreditado em palavras, em olhares, em sorrisos forjados; arrependida de ter amado, me doado, me sacrificado por um sentimento lixo; arrependida de ter sido amiga, namorada, colega ou simples apoio nas horas duras; arrependida de ter sustentado  um olhar pra criar coragem; arrependida daquela carta que escrevi, da mensagem que enviei, de ter corrido atrás; arrependida de ter escrito, de ter chorado por futilidades; arrependida de ter começado e reconhecer que na verdade tudo é mentira; arrependida de ter sido assim, tão trouxa de ter feito muito e no final ficar carregando as dores, a tristeza, as lágrimas alheia. Na verdade, é bem isso que me resta, as lágrimas de quem eu enxuguei, as dores de quem eu ajudei, a força e coragem pra quem eu me doei, na verdade o que me restam são coleções e coleções de frustrações, magoas, ressentimentos, lágrimas que não me pertencem; fui colecionando coisas que não são minhas, sentimentos que nunca foram meus e isso me pesa hoje e eu arrependo de ter feito tudo isso, por mais que tenha feito o bem, tenha salvado sorrisos, olhares, por mais que tenha amenizado, eu arrependo, arrependo de ter ficado com a parte mais difícil que é carregar sozinha nas costas já doloridas. E talvez explique o fato de ser “tão insuportável” “tão fria” você seria capaz de carregar todas as cicatrizes de quem ajudou? Todas as lágrimas de quem você enxugou? Todas as decepções as quais você aconselhou? Você seria capaz, de sofrer sozinho e sentir-se pesado, solitário, amargurado com a vida sem apoio? Sem amigos? Familia? Amor? Você seria capaz de existir sem felicidade? Sem alegrias? (…) To cansada de colecionar solidão. E fodas pra você que acha que é tudo balela, muito fácil falar sem estar no meu lugar, sem conviver aqui dentro de mim.

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